O relógio é sem dúvida uma das máquinas mais fascinantes já inventadas. Além da máquina em si, seja ela mecânica ou digital, há o apelo àquilo sobre o qual, depois de Einstein, ficou bem difícil discutir: o tempo.
Deixemos, portanto, o tempo em paz, e falemos do “tempo de vida”, ou “lifetime”, como se diz em inglês.
Ocorre que nos últimos dias estive passeando pela web à procura de relógios sofisticados (leia-se suíços) de titânio, os quais prefiro, e esbarrei com a Titanium Era (www.titaniumwatches.com).
Os modelos da marca são incríveis. Mas há algo mais interessante que (ou pelo menos tão interessante quanto) o material e o design: o compromisso para o tempo de vida (Lifetime Commitment).
O termo remete naturalmente à expressão “até que a morte os separe”, o que remete à casamento, que por sua vez leva à relacionamentos.
Provavelmente existe algum estudo que relaciona a volatilidade dos relacionamentos atuais com a (praticamente) volatilidade do valor de mercado da maioria dos produtos hoje em dia. As roupas duram duas estações, carros dois anos, PCs idem, empregos 3 anos, guarda-chuvas 3 meses, canetas 2 semanas, etc. Da mesma forma, amizades duram a época da escola, namoros 2 meses, casamentos 3 discussões, e assim por diante.
É um alento que o princípio do tempo de vida ainda possa ser encontrado por aí. Mais que levantar uma questão importante sobre qual o tipo de relógio que queremos ter, esse princípio faz pensar sobre a qualidade das relações que estamos a construir com outrem.
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Marcelo Cicconet.
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Sempre fui a favor dos bons relógios suíços.