Cicconet's Blog

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Inexplicável

Tem coisas que são simplesmente inexplicáveis, ou pelo menos não tem uma explicação óbvia.

Não lembro de muitas agora, mas vou escrever as que me ocorrem só para registro.

A primeira é sobre futebol. Ontem ouve um quebra-quebra em uma certa cidade porque um time de lá caiu para a segunda divisão. Isso é explicável: os humanos são animais e coisa e tal. O que é difícil de entender é o porquê de alguns torcedores do time campeão terem brigado durante a comemoração do título.

A segunda é sobre as tardes. Por que as tardes são tão melancólicas? Consigo render tão bem de manhã e à noite! Mas à tarde eu só faço coisas no piloto automático. Vai ver isso tem alguma explicação biológica, mas nunca ouvi falar.

A terceira é o Rock’n Roll. Como é que pode o Rock’n Roll ser tão bom? Uma base de guitarra meio blues fazendo riffs com cordas soltas, um baixo a marteladas monótonas e uma bateria fazendo tum-pá-tum-pá’s entremeados com tss-tss-tss-tss’s  a 12o bpm e pronto: som legal na certa. É tipo feijão com arroz. Não tem erro.

Ah, e tem também as mulheres, claro. Quase que me esqueço…

Marcelo Cicconet.

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A era do rádio

Dando sequência à série de filmes de Woody Allen, desta vez assisti a A Era do Rádio.

New York, “as usual”, está lá, mas desta vez discretamente. Não há muitas Big Bands, como eu esperava. Por outro lado eu não esperava ouvir Carmen Miranda (cantando South American Way e Tico-Tico no Fubá). Estranho o fato de que a primeira vez que ouço Carmen Miranda é por causa de um filme do Woody Allen.

O filme é em primeira pessoa, narrado por Joe Needleman (Allen), que conta, entre outras, histórias sobre a relação de sua família com o rádio. Dá a impressão de ver algumas famílias brasileiras hoje em dia vidradas nas novelas da TV. A família de Joe seria normal se não fosse descrita por Allen, que sempre acha um jeito de tornar fatos banais engraçados. Mas há também, é claro, fatos bizarros, que só poderiam sair da mente dele, como a mulher que fica petrificada pouco antes de tomar seu gole de chá (e aparece sendo levada de maca com a mão segurando a xícara perto da boca) ao ver uma mulher branca (adepta do “amor livre”) beijar um negro defronte sua casa.

E desta vez notei mais uma característica marcante nos filmes do Woddy. Ele sempre dá um jeito de dizer que é judeu ou de família judia. Isso nunca tem grande importância no roteiro, mas está sempre lá.

Também aparece o curioso adjetivo “poltrão”, nas legendas em português. Poltrão quer dizer “pusilânime”. Não entendeu?  Pusilânime quer dizer “excessivamente tímido”, “que não tem coragem para reagir”, de acordo com o dicionário priberam.pt/dlpo.

Pronto, não vou mais reclamar que sou tímido. Agora vou dizer que sofro de pusilanimidade.

Bem, é isso. Acho que se pode colocar os filmes do Woody Allen na mesma classe de equivalência do Rock ‘n’ Roll a 120 BPM: a classe da das coisas que são boas porque são simples.

Marcelo Cicconet.

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Sobre o tempo gasto na tese

Vou traduzir literalmente um fragmento encontrado num livro que fundamenta minha tese e que me faz torcer para que meu orientador não seja da escola “Bayesiana”.

“Um estudante de doutorado apresenta a seu orientador um tempo preciso, T, para a conclusão de sua tese. Se o orientador pertence à escola “Máxima Verossimilhança” então ele não usará qualquer conhecimento à priori e irá aceitar sem julgamento a estimativa do aluno. Se, por outro lado, o orientador pertencer à escola “Bayesiana”, ele irá usar todo o conhecimento à priori que está disponível. Por exemplo, ele pode usar seu conhecimento da psicologia humana e conjecturar que um estudante trabalhando sob pressão irá quase certamente subestimar o tempo requerido para completar sua tese de doutorado. O resultado é que apesar de a função de verossimilhança ser alta próximo a T, a probabilidade à priori de que T seja um tempo razoável, dado que o estudante está trabalhando sob pressão, é suficientemente pequena para fazer com que a estimativa de um tempo próximo a T seja altamente improvável.”

(H.B. Mitchel, Multi-Sensor Data Fusion, Ex. 9.7.)

Marcelo Cicconet.

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HDR: Receita

Ok, vamos deixar um pouco de lado os devaneios totalmente inúteis, as reclamações sobre o não-sentido da vida e outros et-ceteras mais e falemos sobre alguma coisa séria.

É sobre fotografia HDR. Se não sabe que diabo é isso dê uma olhada na Wikipedia. A idéia é que você consegue fotos com boa exposição em todos os pixels, não apenas em uma certa região da imagem.

Pois então, tem dois jeitos de fazer isso. Um deles é sendo rico e gastando uma nota com um software para o negócio ou usando algo que a galera do software livre implementou. O outro jeito é botando a mão na massa e implementando os algoritmos.

Basicamente você precisa implementar dois artigos. O primeiro é para a obtenção de imagens HDR a partir de fotos comuns: Recovering High Dynamic Range Radiance Maps from Photographs, de Debevec e Malik. O segundo é para conseguir exibir as imagens HDR em displays normais (um procedimento chamado Tone Mapping): Gradient Domain High Dynamic Range Compression, de Fattal, Lischinski e Werman.

Claro que se você optar pela segunda alternativa a probabilidade de o resultado ficar abaixo daquele dos softwares profissionais é alta. Mas também ficará alta sua auto-estima, pois não se trata de um exercício fácil de implementação.

Aqui vai uma amostra do que eu consegui:

Ah, ia esquecendo. Você também precisa de uma máquina fotográfica digital SLR e de um tripé, pra poder tirar várias fotos da mesma cena com exposições diferentes.

Marcelo Cicconet.

Arquivado como:Mão na Massa

Inspiração

Estou sem inspiração para escrever.

Andei fazendo experimentos com locução de poesia: http://www.houndbite.com/?houndbite=20183.

Marcelo Cicconet.

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Broadway Danny Rose

É certamente inapropriado que um sujeito seja desprezado pelo que faz, o que não faz, o que deveria fazer ou não ter feito.

Por outro lado é também abominável que o mesmo seja agraciado, vangloriado e bajulado por qualquer coisa, por seja lá qual for o motivo. Pena, por exemplo.

Em Broadway Danny Rose Woody Allen interpreta Danny Rose, um fracassado agenciador de artistas bizarros que só mesmo Allen poderia imaginar: adestradores de papagaios que tocam piano, sapateadores de uma perna só, ventrílocos gagos, etc.

O interessante é que Danny acredita fortemente em seus agenciados, num nível quase familiar.

O que é ruim, porque os familiares nunca dão um parecer correto sobre a qualidade do que se faz.

Marcelo Cicconet.

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Igual a tudo na vida

Faz um calor infernal no Rio. Assim, lá se vai mais uma noite de sono e aqui estou eu, as 4:37 da manhã, escrevendo o segundo post em menos de 12 horas.

Por sorte havia alugado um filme do Woody Allen, “Igual a tudo na vida”. Aliás, diga-se entre parênteses, há boatos de que Allen está pensando em filmar no Rio.

Estou querendo ver alguns filmes dele, então vai haver uma série de posts a respeito daqui em diante. A iniciativa não é por causa da história dele filmar no Rio. É por causa de Nova York, o quase onipresente personagem de seus filmes.

Igual a tudo na vida basicamente se passa no Central Park, onde Jerry (Jason Biggs) tem suas conversas vespertinas com David (Allen). David é um veterano roteirista com idéias malucas. Jerry vive com Amanda, com quem não consegue contato de, digamos, nível A, há seis meses, o que o deixa, digamos, mal. No mais é a velha conhecida trilha sonora e os diálogos frenéticos. Os filmes do Woody Allen devem ter as maiores taxas de palavras por minuto em Hollywood.

Amanda é interpretada por Christina Ricci, que é e está incrível. Pobre Jerry.

Marcelo Cicconet.

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O princípio do tempo de vida

O relógio é sem dúvida uma das máquinas mais fascinantes já inventadas. Além da máquina em si, seja ela mecânica ou digital, há o apelo àquilo sobre o qual, depois de Einstein, ficou bem difícil discutir: o tempo.

Deixemos, portanto, o tempo em paz, e falemos do “tempo de vida”, ou “lifetime”, como se diz em inglês.

Ocorre que nos últimos dias estive passeando pela web à procura de relógios sofisticados (leia-se suíços) de titânio, os quais prefiro, e esbarrei com a Titanium Era (www.titaniumwatches.com).

Os modelos da marca são incríveis. Mas há algo mais interessante que (ou pelo menos tão interessante quanto) o material e o design: o compromisso para o tempo de vida (Lifetime Commitment).

O termo remete naturalmente à expressão “até que a morte os separe”, o que remete à casamento, que por sua vez leva à relacionamentos.

Provavelmente existe algum estudo que relaciona a volatilidade dos relacionamentos atuais com a (praticamente) volatilidade do valor de mercado da maioria dos produtos hoje em dia. As roupas duram duas estações, carros dois anos, PCs idem, empregos 3 anos, guarda-chuvas 3 meses, canetas 2 semanas, etc. Da mesma forma, amizades duram a época da escola, namoros 2 meses, casamentos 3 discussões, e assim por diante.

É um alento que o princípio do tempo de vida ainda possa ser encontrado por aí. Mais que levantar uma questão importante sobre qual o tipo de relógio que queremos ter, esse princípio faz pensar sobre a qualidade das relações que estamos a construir com outrem.

Marcelo Cicconet.

Arquivado como:Comportamento, Cultura, Sociedade, Tecnologia

A evolucão da inveja

Sabe aquele seu amigo que despretenciosamente fala da sua última viagem ao Caribe e lhe causa uma inveja de subir as paredes?

E aquela outra que não para de falar sobre suas últimas aquisições em Miami, sobre aquela história engraçada no Japão ou o mal-entendido na Argentina, o que te faz lembrar que você não conhece nem um desses lugares? Você, que nem mesmo conhece o Brasil direito!

Pois estes fatos vão ser um mísero épsilon entre zero e 1/1000 perto do que vai ocorrer daqui a uns poucos anos: as viagens espaciais turísticas.

É meu amigo, você vai estar todo contente naquela festa de final de ano da empresa a conversar com aquele cara do Financeiro quando ele “deixa escapar”, como quem não quer nada, que esteve no espaço por três noites. E você, vestindo aquele sorriso mais amarelo que a camisa da seleção brasileira, fará um descomunal esforço para parecer interessado e curioso, enquanto intimamente está a chutar as partes impróprias do seu colega.

Ou então estará todo “sim senhor” num congresso na China, já imaginando como vai contar vantagens ao voltar pra casa, e, numa plenária banal, é surpreendido com o primeiro slide do palestrante, que contém uma imagem da Terra tirada com sua própria máquina fotográfica, para ilustrar o problema de processamento de imagens com que ele vem trabalhando nos últimos anos.

É isso aí companheiro. Trate de enriquecer bastante. Se não para estar do outro lado da conversa, pelo menos o suficiente para as doses diárias de Gelol nos cotovelos.

Atenciosa e invejosamente,

Marcelo Cicconet.

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Coco avant Chanel

Quem será o grande estrategista da terceira guerra mundial, de 2031 a 2037? O primeiro casal de humanos a visitar Marte, em 2053? Quem descobrirá a cura para o HIV, em 2019?

Não sabemos, naturalmente. Mas o que se pode afirmar com certeza é que, se estes fatos ocorrerem, seus protagonistas já nasceram e estão por aí vivendo suas vidas aparentemente banais. Certamente estão se dedicando ao máximo nos seus domínios de trabalho, abdicando de alguma diversão, blá-blá-blá e coisa e tal (essas coisas que os programas televisivos gostam de aproveitar para emocionar o público e servir de “lição de vida”). Mas isso já não é mais um diferencial, já que a maioria das pessoas está se descabelando para achar seu lugar neste planeta maluco e alucinante.

Os protagonistas de que falei estão, módulo eventos equivalentes, tendo suas tardes de terça-feira entediantes, tendo enxaqueca na quinta a tarde, brigando com os respectivos cônjuges no domingo a noite e chutando o pé da cama no sábado pela manhã. E essas coisas não são lá muito cinematográficas.

O grande erro da maioria das biografias é que somente são recortados e descritos os intervalos da vida que contém episódios marcantes, belos, engraçados, hollyhoodianos. E mesmo quando aspectos sombrios da personalidade descrita são mencionados, a colocação é feita de modo que o espectador tolere o fato.

Coco avant Chanel não é assim. Pode parecer um filme sem roteiro, mas isso é intencional (não como a maioria dos filmes, que não tem roteiro porque o roteiro é na verdade uma bos##). A vida, afinal, não tem roteiro. Ou, dito para os que crêem em Deus, a vida não tem um roteiro que o protagonista conheça.

Além do mais o filme é falado em francês e os atores provavelmente lhe serão desconhecidos. Mais dois pontos a favor.

Marcelo Cicconet.

Arquivado como:Cultura